Abril / 2009

Ensinar a Doutrina Verdadeira

Pres. Henry B. Eyring
1 Conselheiro da 1 Presidência

Sempre houve guerra entre a luz e as trevas, entre o bem e o mal, mesmo
antes da criação do mundo.
A batalha entre o bem e o mal continua, e parece que
o número de baixas é crescente.
Todos nós temos membros da família a quem amamos
e que estão sendo atormentados pelas forças
do destruidor, que deseja que todos os filhos de Deus se tornem infelizes.
Muitos de nós já passaram noites em claro. Existem forças
invisíveis do bem e do mal que envolvem
as pessoas que estão em perigo, e tentamos
fazer com que as forças do bem aumentem ao máximo. Nós os amamos.
Demos o melhor exemplo que podíamos. Oramos
suplicando por eles. Há muito tempo, um
sábio profeta deu-nos um conselho a respeito
de outra força que, às vezes, subestimamos e por isso utilizamos muito pouco.

Alma foi o líder de um povo que enfrentou a destruição infligida por inimigos
terríveis. Diante do perigo, teve de escolher, pois não podia fazer tudo.
Ele poderia ter construído fortalezas, criado armamentos
ou treinado exércitos. No entanto, sua única
esperança de vitória era receber o auxílio
de Deus, e sabia que, para isso, o povo teria
que se arrepender. Então, decidiu tentar algo espiritual primeiro:
“Ora, como a pregação da palavra exercia uma grande influência
sobre o povo, levando-o a praticar o que era
justo — sim, surtia um efeito mais poderoso
sobre a mente do povo do que a espada ou
qualquer outra coisa que lhe houvesse acontecido — Alma, portanto, pensou que seria
aconselhável pôr à prova a virtude da palavra de Deus” (Alma 31:5).

Abrir a Mente e o Coração

A palavra de Deus é a doutrina ensinada por Jesus Cristo e por Seus profetas.
Alma sabia que as palavras da doutrina têm grande poder.
Podem abrir a mente das pessoas para que vejam as coisas espirituais, invisíveis aos
olhos naturais. Abrem também o coração
para o amor de Deus e para o amor à verdade.
O Salvador utilizou essas duas fontes de poder, que são abrir a mente e o coração,
na seção 18 de Doutrina e Convênios, ao ensinar Sua doutrina a quem escolhera para ser missionários.
Ao lerem estas palavras, pensem nos rapazes de sua família que
estão agora hesitando em se preparar para a
missão. Foi assim que o Mestre ensinou dois
de Seus servos, e é uma maneira de ensinar a
doutrina Dele aos jovens que vocês amam:
“E agora, Oliver Cowdery, dirijo-me a ti e também a David Whitmer, por meio de
mandamento; pois eis que ordeno a todos os
homens de todos os lugares que se arrependam; e falo a vós como falei a Paulo, meu
apóstolo, porque sois chamados pelo mesmo chamado que ele.
Lembrai-vos de que o valor das almas é grande à vista de Deus” (D&C 18:9–10).

Finalmente, abre-lhes os olhos para que vejam além do véu.
Remete-nos todos a uma existência futura, descrita no grande plano de salvação, ao lugar onde poderemos,
um dia, estar. Fala-nos de amizades tão maravilhosas, que
valeriam todos os sacrifícios que fizéssemos para tê-las:
“E, se trabalhardes todos os vossos dias clamando arrependimento
a este povo e trouxerdes a mim mesmo que
seja uma só alma, quão grande será vossa alegria com ela no reino de meu Pai!
E agora, se vossa alegria é grande com uma só alma
que tiverdes trazido a mim no reino de meu Pai, quão
grande será vossa alegria se me trouxerdes muitas almas!”
(D&C 18:15–16).
Nessas poucas passagens, Ele ensina a doutrina para
que abramos o coração ao Seu amor. Ensina a doutrina
para que vejamos as realidades espirituais, invisíveis à
mente que não esteja iluminada pelo Espírito da Verdade.

Como Devemos Ensinar
A necessidade de abrir olhos e tocar corações mostranos
como devemos ensinar a doutrina. Ela só tem força
quando o Espírito Santo confirma que é verdadeira.
Preparamos aqueles a quem ensinamos da melhor
maneira possível para ouvirem o sussurro suave da voz
mansa e delicada. Isso exige, pelo menos, um pouco de fé
em Jesus Cristo. Exige, pelo menos, um pouco de humildade
e desejo de colocar-nos à disposição do Salvador.
Talvez as pessoas a quem estejam ensinando tenham
pouca fé e humildade, mas vocês podem fazer com que tenham o desejo de acreditar.
Mais do que isso, podem receber a segurança fundamentada na segunda força da
doutrina. A verdade prepara seu próprio caminho.
Basta ouvir as palavras da doutrina para que a semente da fé seja plantada no coração.
Mesmo uma sementinha de fé em Jesus Cristo serve de convite ao Espírito.

Temos mais controle sobre nossa preparação.
Banqueteamo-nos com a palavra de Deus encontrada
nas escrituras e estudamos as palavras dos profetas
vivos. Jejuamos e oramos para pedir que o Espírito esteja
conosco e com a pessoa a quem ensinamos.
Como precisamos da ajuda do Espírito Santo, devemos
ser prudentes e cuidadosos para não ensinarmos o que
não seja doutrina verdadeira. O Espírito Santo é o Espírito
da Verdade. Ele confirmará o que ensinamos, se evitarmos
a especulação e a interpretação pessoal — o que pode ser difícil fazer.

Uma das maneiras mais certas de não incorrermos em
doutrina falsa é ensinarmos com simplicidade.
A segurança está na simplicidade, e não se perde nada com isso.
Sabemos disso porque o Salvador nos disse que ensinássemos
a doutrina mais importante às criancinhas. Ouçam
Seu mandamento: “E também, se em Sião ou em qualquer
de suas estacas organizadas houver pais que, tendo filhos,
não os ensinarem a compreender a doutrina do arrependimento,
da fé em Cristo, o Filho do Deus vivo, e do batismo e do dom do Espírito Santo pela imposição das
mãos, quando tiverem oito anos, sobre a cabeça dos pais seja o pecado” (D&C 68:25).
Podemos ensinar até mesmo uma criança a entender a
doutrina de Jesus Cristo. Portanto, com a ajuda de Deus é
possível ensinar a doutrina de salvação com simplicidade.

Começar Cedo
Nossa probabilidade de sucesso é maior com as crianças
pequenas. O melhor momento de ensiná-las é bem
cedo, enquanto ainda são imunes às tentações de seu inimigo
mortal, e bem antes que o barulho das dificuldades
pessoais as impeça de ouvir as palavras da verdade.

Os pais sábios jamais perderiam uma oportunidade de reunir os filhos para aprenderem a doutrina de Jesus Cristo.
Esses momentos são raríssimos quando comparados ao trabalho do inimigo.
Para cada hora de ensino de doutrina na vida de uma criança, é possível que haja centenas de horas de mensagens e imagens
que negam e ignoram as verdades de salvação.

Não nos devemos perguntar se estamos ou não muito cansados para prepararmo-nos
para ensinar a doutrina; ou se não seria melhor aproximar-nos dos filhos com brincadeiras,
ou se eles não estariam começando a pensar que fazemos sermões demais. Deveríamos é
perguntar: “Como tenho tão pouco tempo e
tão poucas oportunidades, o que poderia dizer para fortalecê-los quando sua fé for atacada, o
que por certo acontecerá?” Pode ser que eles se lembrem das palavras que vocês dizem
hoje; e o dia de hoje logo terá fim.

Os Efeitos Duradouros do Ensino
Poderão surgir duas dúvidas. Talvez se
perguntem se sabem a doutrina o suficiente para ensinar; e, caso já tenham tentado
ensiná-la, talvez se perguntem por que não a veem surtir efeito.
Em minha família, houve uma jovem que
teve a coragem de começar a ensinar a doutrina
quando ainda era membro recém-converso, e não tinha muita instrução.
O fato de seus ensinamentos continuarem produzindo
efeito dá-me paciência para esperar os frutos do meu próprio trabalho.
Minha bisavó chamava-se Mary Bommeli.
Não cheguei a conhecê-la. Uma de suas netas
escreveu uma história que a ouviu contar.
Mary nasceu em 1830. Os missionários ensinaram sua família na Suíça quando ela
estava com vinte e quatro anos. Ela morava com a família numa pequena fazenda e
ajudava no sustento da casa fabricando e
vendendo tecidos. Quando a família ouviu a doutrina do evangelho restaurado de Jesus
Cristo, logo soube que era verdadeira. Foram
todos batizados. Os irmãos de Mary serviram
como missionários sem bolsa nem alforje. O restante da família vendeu tudo o que possuía
para se unir aos santos nos Estados Unidos.
Não havia dinheiro suficiente para todos irem. Mary propôs-se a ficar para trás, porque
achava que, tecendo, poderia ganhar dinheiro suficiente para manter-se e economizar para
a viagem. Ficou na casa de uma mulher em Berlim, que a contratou para tecer roupas para
sua família. Morava em um quarto de empregados e tecia na área social da casa.
Era contra a lei ensinar a doutrina da Igreja
de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias em Berlim; mas Mary não conseguiu guardar as
boas-novas só para si. A dona da casa e suas
amigas reuniam-se ao redor do tear
da moça suíça para ouvi-la ensinar. Ela falou
da aparição do Pai Celestial e de Jesus Cristo a Joseph Smith, da visita de anjos e do Livro
de Mórmon. Quando chegou aos registros de
Alma, ensinou a doutrina da Ressurreição. Isso atrapalhou o trabalho dela.
Naquela época, muitas crianças morriam bem pequenas.
As mulheres que estavam ao redor do tear tiveram filhos que morreram, vários até.
Quando Mary explicou que as crianças eram
herdeiras do reino celestial e que aquelas mulheres voltariam a encontrar os filhos,
o Salvador e o Pai Celestial, todas choraram, inclusive Mary.
Todas aquelas lágrimas molharam o tecido que ela estava fazendo.
Os ensinamentos de Mary criaram problemas ainda mais graves. Apesar de ter suplicado
às mulheres que não mencionassem a ninguém o que lhes tinha dito, ainda assim,
elas o fizeram. Falaram da boa doutrina a seus amigos. Então, certa noite, alguém bateu à porta.
Era a polícia. Mary foi presa. A caminho da prisão,
perguntou ao policial o nome do juiz a quem deveria
apresentar-se na manhã seguinte. Perguntou se ele tinha
família e se era bom pai e marido. O policial sorriu ao dizer que o juiz era um homem mundano.
Na prisão, Mary pediu lápis e papel e escreveu uma
carta ao juiz. Escreveu sobre a Ressurreição de Jesus Cristo
conforme descrita no Livro de Mórmon, sobre o mundo
espiritual e quanto tempo o juiz teria antes do julgamento
final, para considerar e pensar sobre sua vida. Disse que
sabia que ele tinha muito de que se arrepender, coisas
que iriam magoar seus familiares e causar grande tristeza
a ele também. Mary passou a noite toda escrevendo. Pela
manhã, pediu ao policial que levasse sua carta ao juiz, e ele o fez.
Mais tarde, o policial foi chamado à sala do juiz.
A carta de Mary era uma prova irrefutável de que ela
vinha ensinando o evangelho e, portando, infringindo
a lei. Contudo, o policial não tardou a voltar à cela de
Mary. Disse-lhe que todas as acusações haviam sido
retiradas e que ela estava livre. Ao ensinar a doutrina
do evangelho restaurado de Jesus Cristo, ela tocou
tantos corações que acabou sendo presa. O fato de ter declarado a doutrina do arrependimento ao juiz fez com
que fosse libertada.

Moldar Seus Descendentes
Os ensinamentos de Mary Bommeli não tocaram
somente as mulheres ao redor do tear e o juiz. Meu
pai, neto dela, conversou muito comigo nas noites
que precederam sua morte e falou das alegres reuniões
que em breve aconteceriam no mundo espiritual.
Falava com tamanha certeza que eu quase podia ver
o brilho do sol e o sorriso no rosto das pessoas que
estavam no paraíso.

Em dado momento, perguntei-lhe se tinha algo de que se
deveria arrepender. Ele sorriu. Deu uma risadinha e disse:
“Não, Hal, venho-me arrependendo ao longo da vida”. A
doutrina do paraíso que Mary Bommeli ensinou àquelas
mulheres era real para seu neto. Até a doutrina que ela ensinara
ao juiz influenciou a vida de meu pai para sempre. Esse
não será o fim dos ensinamentos de Mary Bommeli. O registro
de suas palavras ensinará a doutrina verdadeira a muitas gerações futuras de sua família.

Sou grato por viver em uma época em que nós e nossa
família temos a plenitude do evangelho restaurado.
Sou grato pela missão de amor do Salvador, e pelas palavras
de vida que nos deu. Oro para que transmitamos essas palavras àqueles a quem amamos.
Testifico que Deus, nosso Pai, vive e ama a todos os Seus filhos. Jesus Cristo é
Seu Filho Unigênito na carne e nosso Salvador. Sei que Ele
ressuscitou e sei que podemos ser purificados por intermédio
da obediência às leis e ordenanças do evangelho de Jesus Cristo. ◼

O Que a Expiação Significa para Você?

Elder Cecil O. Samuelson Jr.
Dos Setenta

O Profeta Joseph Smith ensinou: “Os
princípios fundamentais de nossa religião são o testemunho dos Apóstolos
e Profetas a respeito de Jesus Cristo, que Ele
morreu, foi sepultado, ressuscitou no terceiro dia e ascendeu ao céu;
todas as outras coisas de nossa religião são meros apêndices disso”.

Os riscos de distanciar-nos de nosso Pai
Celestial e do Salvador são significativos e
estão constantemente ao nosso redor.
Felizmente, a Expiação também tinha em vista
todas essas situações. É por isso que Jacó, irmão de Néfi, descreveu a Expiação como
“infinita” (2 Néfi 9:7), que significa sem limites
ou restrições externas. É por isso que a Expiação é tão extraordinária e necessária.
Não admira, portanto, que não apenas precisemos
valorizar essa incomparável dádiva, mas também compreendê-la claramente.

A Expiação torna a Ressurreição uma realidade para todos. Contudo, em relação
a nossos pecados e transgressões pessoais,
alguns aspectos condicionais da Expiação exigem que tenhamos fé no Senhor Jesus
Cristo, arrependamo-nos e cumpramos as leis e ordenanças do evangelho.

Imortalidade e Vida Eterna
Talvez o versículo mais citado em nossas
reuniões e em nossos escritos seja este
maravilhoso e esclarecedor versículo do livro de Moisés:
“Pois eis que esta é minha obra e minha glória:
Levar a efeito a imortalidade e  vida eterna do homem” (Moisés 1:39).

Não me recordo de ter conhecido uma pessoa que professasse uma forte fé em Jesus
Cristo e que estivesse muito preocupada com a Ressurreição.
É verdade que todos temos muitas perguntas a respeito de detalhes, mas compreendemos que a promessa fundamental
inclui todas as pessoas e será cumprida.

Como a vida eterna é condicional e exige esforço e obediência de nossa parte, a maioria de nós se preocupa, de tempos em
tempos, talvez regularmente — e até constantemente — com dúvidas sobre estarmos ou não vivendo da maneira que deveríamos.
Como o Élder David A. Bednar, do Quórum dos Doze Apóstolos, perguntou:
“Será que estamos crendo erroneamente que devemos
progredir e tornar-nos santos por nós mesmos,
empregando esforço próprio, força de vontade e disciplina”?
Se nossa salvação fosse apenas uma
questão de esforço pessoal, estaríamos em graves apuros porque todos nós somos
imperfeitos e incapazes de obedecer plenamente, em todos os sentidos, o tempo  todo.
Como, então, conseguimos a ajuda e o auxílio de que necessitamos? Néfi esclareceu o dilema da relação entre graça e obras, ao
testificar: “Pois sabemos que é pela graça que somos salvos, depois de tudo o que pudermos fazer” (2 Néfi 25:23).
O Bible Dictionary nos lembra que graça significa um mecanismo ou dispositivo divino
que proporciona força ou ajuda por meio da misericórdia e do amor de Jesus Cristo
colocados ao nosso alcance pela Expiação.

Felicidade por Meio da Expiação
(…) Néfi teve de lidar com graves problemas familiares,
exacerbados por Lamã e Lemuel; e, por fim,
precisou se isolar, com seus seguidores,
daqueles que ficaram do lado de Lamã e Lemuel.
Diante de todas essas privações e dificuldades, Néfi
foi capaz de dizer: “E aconteceu que vivemos felizes” (2 Néfi 5:27).
Ele compreendia que havia um padrão de vida que
resulta em felicidade, independentemente das dificuldades,
obstáculos e desapontamentos que ocorrem na vida de todos.
Foi capaz de concentrar-se na visão geral do plano de Deus para ele e seu povo, não se
deixando abater pelas frustrações ou pela correta compreensão
de que a vida não é justa. Apesar de tudo isso, ele e seu povo foram felizes. Compreenderam
que haveria uma Expiação e que podiam confiar que estariam incluídos nela.

Néfi fez a si mesmo importantes perguntas que podemos igualmente fazer-nos ao refletirmos sobre o papel da
Expiação de Cristo em nossa vida: (ler(2 Néfi 4:26–27)
Depois de seu lamento, ele respondeu à própria pergunta, sabendo como deveria abordar seus problemas:
“Desperta, minha alma! Não te deixes abater pelo pecado.
Regozija-te, ó meu coração, e não dês mais lugar ao inimigo
de minha alma. (…) Ó Senhor, confiei em ti e em ti confiarei sempre” (2 Néfi 4:28, 34).

Tampouco podemos ou iremos conhecer o significado de todas as coisas, mas podemos e precisamos saber que
Deus ama Seus filhos e que podemos ser beneficiários da plena medida da graça e Expiação de Cristo em nossa vida e em nossas dificuldades.
Da mesma forma, conhecemos e precisamos lembrar a insensatez e o risco de dar lugar ao mal em nosso coração.
Mesmo que compreendamos plenamente e nos comprometamos a eliminar o mal e o maligno de nosso
coração e de nossa vida, falhamos muito frequentemente porque somos homens e mulheres “naturais” (ver Mosias
3:19). Assim sendo, precisamos ser gratos pelo princípio do arrependimento e colocá-lo em prática.
Embora frequentemente nos refiramos ao arrependimento como um acontecimento, como de fato ele às vezes é, para
a maioria de nós trata-se de um processo constante ao longo de toda a vida.

Há exemplos específicos de iniquidade e erros que podemos abandonar agora
e jamais voltar a cometer. Podemos, por exemplo, ser dizimistas integrais pelo restante de nossos dias,
mesmo que nem sempre tenhamos sido no passado.
Mas outras dimensões de nossa vida exigem nosso contínuo esforço de aperfeiçoamento e constante
atenção, como nossa espiritualidade, caridade, sensibilidade em relação às pessoas, consideração pelos
familiares, preocupação com o próximo, compreensão
das escrituras, participação no templo e qualidade de nossas orações pessoais.

Podemos ser gratos pelo fato de que o Salvador, por
compreender-nos melhor do que nós mesmos, instituiu o
sacramento para que pudéssemos renovar regularmente
nossos convênios, partilhando os sagrados emblemas
com o compromisso de tomar sobre nós Seu santo nome,
sempre lembrar-nos Dele e guardar Seus mandamentos.

Arrependimento e Obediência
Tenho certeza de que nenhum de nós pode imaginar o significado
e a intensidade da dor sofrida pelo Senhor, enquanto realizava a grandiosa Expiação.
Duvido que Joseph Smith, na época, tivesse uma noção plena do sofrimento do Salvador,
embora o Profeta tenha adquirido maior compreensão e entendimento por meio de
suas próprias tribulações e sofrimento nos anos seguintes. Pense na instrução corretiva
dada pelo próprio Jesus ao aconselhar e consolar Joseph nas tenebrosas horas em
que esteve preso na Cadeia de Liberty. O Senhor disse simplesmente: “O Filho do
Homem desceu abaixo de todas elas. És tu maior do que ele?” (D&C 122:8).

É verdadeiramente tocante saber que Jesus passou por tudo isso, não porque não pudesse evitá-lo, mas porque
nos amava. Jesus também ama e honra Seu Pai com uma intensidade e lealdade que somente podemos imaginar.
Se quisermos honrar e amar o Salvador em retribuição, jamais podemos esquecer que Ele realizou a Expiação para que
não precisássemos sofrer no nível que seria exigido de nós exclusivamente pela justiça.
Flagelos, privações, maus-tratos, cravos e inconcebível
aflição e sofrimento, tudo isso levou a Sua dolorosa agonia, que só poderia ser tolerada por alguém que tivesse
Seus poderes e Sua determinação de permanecer no caminho correto e suportar tudo o que tivesse de enfrentar.

A Abrangência da Expiação
Ao ponderarmos a abrangência da Expiação e a disposição
do Redentor de sofrer por todos os
nossos pecados, devemos reconhecer com gratidão que o sacrifício expiatório também cobre muitas outras coisas.
Reflitam sobre estas palavras de Alma ao fiel povo de Gideão, quase um
século antes de a Expiação ser efetuada:
“E [ Jesus] seguirá, sofrendo dores e aflições e tentações
de toda espécie; e isto para que se cumpra a palavra que
diz que ele tomará sobre si as dores e as enfermidades de seu povo.
E tomará sobre si a morte, para soltar as ligaduras da
morte que prendem o seu povo; e tomará sobre si as suas
enfermidades, para que se lhe encham de misericórdia as
entranhas, segundo a carne, para que saiba, segundo a carne,
como socorrer seu povo, de acordo com suas enfermidades.
Ora, o Espírito sabe todas as coisas; não obstante, o Filho
de Deus padece segundo a carne para tomar sobre si os
pecados de seu povo, para apagar-lhes as transgressões, de
acordo com seu poder de libertação; e eis que agora este é
o testemunho que está em mim” (Alma 7:11–13).

Pode imaginar qualquer coisa que substitua a Expiação de Jesus? Além disso,
acrescente a incomparável Ressurreição, e começaremos
a compreender o suficiente para cantar: “Assombro me causa o amor que me dá Jesus”.

O que a Expiação significa para você e para mim? Significa tudo.
Como Jacó explicou, podemos “[reconciliar-nos com o Pai] pela expiação de Cristo, seu Filho Unigênito” ( Jacó 4:11).
Isso significa que podemos arrepender-nos, entrando em plena harmonia com Ele, sendo totalmente
aceitos por Ele, evitando os erros e mal-entendidos que
“[negam] as misericórdias de Cristo e [desprezam] a sua expiação e o poder de sua redenção” (Morôni 8:20).
Abstemos-nos de desonrar e desrespeitar a Expiação do Salvador seguindo o conselho de Helamã, que é válido
tanto hoje quanto nos anos que antecederam o advento terreno do Senhor:
“Oh! Lembrai-vos, lembrai-vos, meus filhos, (…) de que nenhum outro caminho ou meio há pelo qual o homem possa ser salvo, a não ser por meio do
sangue expiatório de Jesus Cristo, que virá; sim, lembrai-vos de que ele vem para redimir o mundo” (Helamã 5:9).
Sua Expiação realmente abrange o mundo e todas as pessoas desde o princípio até o fim.
Não esqueçamos, porém, que sua abrangência e
plenitude também são extremamente pessoais e especificamente personalizadas para adequar-se
com perfeição a cada uma de nossas circunstâncias pessoais.
O Pai e o Filho conhecem-nos melhor do que nós mesmos e prepararam uma Expiação
para nós que está plenamente de acordo com nossas necessidades, possibilidades e dificuldades.
Agradeçamos a Deus pela dádiva de Seu Filho e agradeçamos ao Salvador por Sua Expiação. Ela é verdadeira e
válida e vai-nos conduzir para onde precisamos e desejamos estar. ◼

Extraído de um discurso proferido na Conferência das Mulheres da
Universidade Brigham Young, em 5 de maio de 2006.

Examinar as Escrituras Diligentemente

Professoras Visitantes

Por Que Examinar as Escrituras?
Presidente Howard W. Hunter
(1907–1995): “Recomendo a vocês
as revelações de Deus como o padrão
pelo qual precisamos conduzir nossa
vida e pelo qual precisamos avaliar cada
decisão e ação. Consequentemente,
quando tiverem preocupações e dificuldades,
enfrentem-nas consultando as
escrituras e os profetas” (“Fear Not, Little
Flock”, em 1988–1989 Devotional and
Fireside Speeches 1989, p. 112).

Presidente Ezra Taft Benson (1899– 1994):
“O sucesso em retidão, a capacidade
de não ser enganados e resistir
à tentação, a orientação em nossa vida
diária, a cura da alma — essas são
apenas algumas das promessas que o
Senhor fez para os que buscarem Sua
palavra. (…) Certas bênçãos só são
encontradas nas escrituras, só são recebidas
quando buscamos a palavra do
Senhor e nos apegamos a ela. (…)
(“The Power of the Word”, Ensign,
maio de 1986, p. 82).

Presidente Spencer W. Kimball (1895–1985):
“À medida que conhecerem cada vez mais as verdades
das escrituras, vocês se tornarão mais eficazes no cumprimento do
segundo grande mandamento de amar seu próximo como a si mesmos.
Tornem-se estudiosos das escrituras, não para humilhar as pessoas, mas
para edificá-las! Afinal, quem mais precisa ‘entesourar’ as verdades do
evangelho (para poder relembrá-las nos momentos de necessidade) do
que as mulheres e mães que tanto fazem para nutrir e ensinar?” (“The
Role of Righteous Women”, Ensign, novembro de 1979, p. 102).

Como Posso Entesourar as Escrituras?
2 Néfi 4:15: “Porque minha alma
se deleita nas escrituras e meu coração
nelas medita e escreve-as para instrução e proveito de meus filhos.”

Julie B. Beck, presidente geral
da Sociedade de Socorro:
“Uma boa
maneira de começar a estudar as escrituras é a de ‘aplicá-las’ a nós mesmos
(ver 1 Néfi 19:23). Algumas pessoas começam escolhendo no Guia para
Estudo das Escrituras um assunto que precisam aprender. Ou leem um livro
de escritura desde o início e buscam ensinamentos específicos enquanto o fazem. (…)
Seja qual for a maneira como
alguém começa a estudar as escrituras, a chave para a revelação de
conhecimentos importantes é continuar a estudar. Jamais me canso
de descobrir os preciosos tesouros de verdade nas escrituras, porque
elas ensinam com ‘clareza, sim, tão claramente quanto o podem ser
as palavras’ (2 Néfi 32:7). As escrituras testificam de Cristo (ver João
5:39). Elas dizem todas as coisas que devemos fazer (ver 2 Néfi 32:3).
Elas ‘podem fazer-[nos] sábios para a salvação’   (II Timóteo 3:15).
Por meio da leitura das escrituras
e da oração que acompanha meu estudo, adquiro um conhecimento
que me traz paz e ajuda a manter minhas energias voltadas para as
prioridades eternas. Por ter começado a ler as escrituras diariamente,
aprendi a respeito de meu Pai Celestial, de Seu Filho Jesus Cristo e
do que preciso fazer para tornar-me como Eles” (“Minha Alma Se Deleita
nas Escrituras”, A Liahona e Ensign, maio de 2004, pp. 108–109).

Presidente Thomas S. Monson:
“As santas escrituras adornam nossas estantes de livros.
Cuidem para que elas proporcionem sustento para a mente
e orientação para a vida” (“The Mighty Strength of the Relief Society”,
Ensign, novembro de 1997, p. 95). ◼

O Aprendizado e os Santos dos Últimos Dias

Élder Dallin H. Oaks
do Quórum dos Doze Apóstolos
E Kristen M. Oaks

Como santos dos últimos dias, cremos em ser instruídos
e temos uma filosofia sobre como e por que devemos
buscar essa instrução. Nossa fé religiosa nos ensina que
devemos buscar conhecimento pelo Espírito e que temos
o encargo de usar nosso conhecimento em benefício da
humanidade.

Nossa Jornada em Busca da Verdade
“[Nossa] religião (…) [nos] insta a buscar conhecimento
diligentemente”, ensinou o Presidente Brigham Young
(1801–1877). “Não existe outro povo mais ávido de ver,
ouvir, aprender e compreender a verdade.”

Um santo dos últimos dias instruído deve procurar compreender os importantes
problemas religiosos, seculares, sociais e políticos de sua
época. Quanto mais conhecimento tivermos a respeito
das leis do céu e das coisas terrenas, maior
influência poderemos exercer para o bem
nas pessoas a nosso redor e mais protegidos
estaremos das influências torpes e malignas
que podem confundir-nos e destruir-nos.

Em nossa jornada em busca da verdade,
precisamos procurar a ajuda de nosso amoroso
Pai Celestial. Seu Espírito pode guiar-nos
e intensificar nossos esforços de aprendizado
e magnificar nossa capacidade de assimilar a
verdade. Esse aprendizado pelo Espírito não
se restringe às salas de aula nem à preparação
para os exames acadêmicos. Aplica-se a tudo
o que fazemos na vida e a todo lugar em que
o fazemos: no lar, no trabalho e na Igreja.

Também somos bombardeados por programas
de entrevistas, psicólogos de televisão,
revistas de moda e comentaristas da mídia,
cujos valores distorcidos e práticas questionáveis
podem conduzir nossas opiniões e
influenciar nosso comportamento. Como
exemplo, o Presidente Spencer W. Kimball
(1895–1985) disse: “Jamais houve uma época na história do
mundo em que o papel [dos homens e das mulheres] tenha
sido vítima de tantos mal-entendidos”.

Nessa situação, a confusão, o desânimo ou a dúvida
podem começar a minar nossa fé e afastar-nos do Salvador
e da edificação de Seu reino na Terra. Se concentrarmos
nossas decisões nas tendências e orientações do mundo,
seremos “levados em roda por todo o vento de doutrina,
pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente” (Efésios 4:14).
Sem ser influenciada pela opinião popular, A Igreja de
Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias ensina princípios.
A diferença é profunda. As tendências, a moda e a ideologia
popular são fugazes e efêmeras.
Os princípios servem como âncoras de segurança, orientação e verdade.
Se fixarmos nossos ideais e nosso rumo na
doutrina e em princípios como ter fé no Senhor
Jesus Cristo e seguir o profeta, teremos um guia
totalmente confiável e imutável para as decisões de nossa vida.

Não precisamos temer.
O Presidente Henry B. Eyring, Primeiro Conselheiro
na Primeira Presidência, ensinou:
“O Senhor sabe o que
vocês precisam fazer e o que precisam conhecer. Ele é
bondoso e onisciente. Por isso, você pode ter certeza de
que Ele proveu oportunidades para que você aprenda,
em preparação para o serviço que vai prestar.
Você não reconhecerá perfeitamente essas oportunidades.
(…) Mas, se colocar as coisas espirituais em primeiro
lugar na vida, será abençoado para sentir-se guiado em
direção a certo tipo de aprendizado e será motivado a trabalhar mais arduamente”.

Dignidade Pessoal
Precisamos abster-nos da impureza sexual,
pornografia ou vícios, bem como de sentimentos negativos
em relação aos outros ou a nós mesmos. O pecado
afasta o Espírito do Senhor, e quando isso acontece, a
iluminação especial do Espírito é perdida, e a lâmpada do
aprendizado começa a fraquejar.

Na revelação moderna temos a promessa de que, se
tivermos os olhos fitos na glória de Deus, o que inclui a
dignidade pessoal, “todo o [nosso] corpo se encherá de luz
e em [nós] não haverá trevas; e o corpo que é cheio de luz
compreende todas as coisas” (D&C 88:67).

Podemos comprovar imediatamente esse princípio
eterno por experiência própria. Lembra-se de uma ocasião
em que você se sentia ressentido ou com vontade de
discutir ou brigar? Você conseguia estudar eficazmente?
Recebeu alguma iluminação naquele período de sua vida?
O pecado e a raiva obscurecem a mente. Produzem
uma condição oposta à luz e verdade que caracteriza a
inteligência, que é a glória de Deus (ver D&C 93:36). O
arrependimento, que pode purificar-nos do pecado por
meio do sacrifício expiatório de Jesus Cristo, portanto,
é um passo essencial no caminho do aprendizado para
todos os que buscam luz e verdade por meio do poder
que o Espírito Santo tem para ensinar.

Somos seres imperfeitos, mas todos podemos nos esforçar
para ser mais dignos da companhia do Espírito, que
vai magnificar nosso discernimento pessoal e preparar-nos
para ser melhores ao defender a verdade, suportar as pressões
sociais e fazer contribuições positivas.

Educação
Em nossas escolhas educacionais, devemos preparar-nos
para prover o sustento para nós mesmos e para
aqueles que serão nossos dependentes. É necessário que
tenhamos habilidades que possam prover-nos rendimentos.
A instrução é obrigatória para nossa segurança e
nosso bem-estar pessoais.

Irmã Oaks: As metas e experiências educacionais
das mulheres geralmente diferem muito das dos homens.
Fui criada numa época
em que as mulheres aparentemente só
tinham duas opções para sustento pessoal:
ser professora ou enfermeira.
Meu “problema” era que eu não pretendia seguir nenhuma
dessas profissões. Conseguir sustentar-me
financeiramente era algo que eu não considerava
possível nem necessário. Adorava aprender e sabia trabalhar.
Na verdade, adorava trabalhar. Tive muitos empregos de
verão, e tirava boas notas na escola. Quando
me dei conta do fato de que precisava me
sustentar integralmente, fiquei com medo,
quase paralisada pelos desafios imprevistos
que pareciam ameaçar-me. Eu não tinha
nenhuma formação profissional. Meus estudos em artes tinham-me alimentado a alma,
mas eu precisava de algo que me rendesse algum sustento.
Fui fazer pós-graduação para aprender algo que me ajudasse a sustentar-me.
Adorei cada minuto de aprendizado e encontrei não apenas novas ideias, mas descobri minhas
aptidões. Tendo antes me sentido tímida e um tanto vulnerável, passei a sentir-me capaz
e competente para enfrentar a vida por conta própria.

Encruzilhadas
Sabemos que nada é mais frustrante do que
não saber o que fazer com seu futuro, mas
nada traz mais satisfação pessoal do que descobrir
suas aptidões. Leia sua bênção patriarcal,
pondere suas aptidões e talentos naturais
e, então, siga em frente. Dê o primeiro passo,
e as portas se abrirão. Por exemplo, quando
a irmã Oaks começou a estudar literatura
inglesa, nem sequer sonhava que isso a levaria
para uma editora de Boston. Quando o Élder
Oaks estudava contabilidade, ele nunca supôs
que isso o levaria a estudar Direito, a
trabalhar na Universidade Brigham Young
e, depois, na Suprema Corte de Utah.

Precisamos decidir o que estudaremos,
porque o aprendizado dura para sempre, e
todo conhecimento útil, sabedoria ou “princípio
de inteligência” que adquirirmos nesta vida
“surgirá conosco na ressurreição” (D&C 130:18).

As mulheres, em especial, podem sofrer
pressões negativas quando aspiram a cargos profissionais.
O Presidente Thomas S. Monson, como parte de sua mensagem na reunião geral
da Sociedade de Socorro, realizada em 29 de setembro de 2007, disse às mulheres:
“Não orem por tarefas que não excedam sua capacidade,
mas orem por capacidade
para cumprir suas tarefas. Então a realização de suas tarefas
não será um milagre, vocês serão o milagre”.

Advertimos que, devido à necessidade de
terminar os estudos e assegurar estabilidade
financeira, os homens e as mulheres podem
ficar tentados a dar menor prioridade ao
casamento. É falta de visão eterna seguir
um rumo profissional que torne a pessoa
indisponível para o casamento, que é um
valor eterno, por não ser condizente com
seu cronograma profissional, que é um valor mundano.

Sejam sábios. Todos somos diferentes. Se
buscarem o conselho Dele, o Senhor vai mostrar-lhes o que
é melhor para vocês.

Sede de Aprender
O Élder Jay E. Jensen, da Presidência dos Setenta, ensinou
que precisamos “manter-nos sempre afiados na capacidade
de aprender”. 9 Essa capacidade precisa ser afiada
pelo desejo de aprender, guiado por prioridades eternas.

Há poucas coisas mais gratificantes e agradáveis do que aprender
algo novo. Isso proporciona grande felicidade, satisfação e
recompensas financeiras. A instrução não se limita aos cursos
formais. O aprendizado por toda a vida aumenta nossa
capacidade de valorizar e apreciar o funcionamento e a
beleza do mundo ao nosso redor. Esse tipo de aprendizado
vai muito além dos livros e do uso seletivo de novas
tecnologias, como a Internet. Inclui atividades artísticas.
Também inclui experiências pessoais com lugares e pessoas:
conversas com amigos, visitas a museus e concertos
e oportunidades de serviço. Devemos expandir-nos e
desfrutar a jornada.

Talvez tenhamos de nos esforçar para alcançar nossas
metas, mas nossas dificuldades podem promover nosso
crescimento tanto quanto o aprendizado. Os pontos
fortes que desenvolvemos ao superar obstáculos estarão
conosco nas eternidades futuras. Não devemos invejar as
pessoas cujos recursos financeiros ou intelectuais tornam
a jornada fácil. O crescimento nunca foi fácil, e as pessoas
que têm facilidade na jornada terão de crescer por meio
de outros sacrifícios ou deixarão de vivenciar o progresso
que é o propósito da vida.

Mais importante ainda, temos a obrigação de
continuar nossa instrução espiritual estudando as escrituras
e as publicações da Igreja e frequentando as reuniões
da Igreja e o templo. Banquetear-nos nas palavras
da vida vai enriquecer-nos, aumentar nossa capacidade
de ensinar nossos entes queridos e preparar-nos para a
vida eterna.

O principal objetivo de adquirir instrução é tornar-nos
melhores pais e servos no reino. Ao longo prazo,
é o crescimento, o conhecimento e a sabedoria que
adquirimos que vão ampliar-nos a alma e preparar-nos
para a eternidade, e não as nossas notas nos boletins
escolares. As coisas do Espírito são coisas eternas, e
nosso relacionamento familiar, selado pelo poder do
sacerdócio, é o principal fruto do Espírito. A instrução é
um dom de Deus: é a pedra angular de nossa religião,
se a usarmos em benefício das pessoas. ◼

Sem Queimar as Pestanas

Cinthya Verónica Salazar Márquez

Mesmo quando eu era moça, a maioria de
meus chamados na Igreja envolviam ensinar
as crianças da Primária, e isso influenciou
minha decisão de formar-me em pedagogia
infantil. Mas a escolha do curso universitário não foi
a única maneira pela qual os ensinamentos da Igreja
afetaram minha educação. Isso ficou bem claro
quando eu me preparava para a formatura.
O último trabalho que tive de realizar era uma
dissertação que eu teria de apresentar como exame
oral perante três juízes. Os juízes eram professores que me deram aulas.
Com a dissertação cuidadosamente concluída,
passei parte da véspera do exame oral com a família
de meu namorado. Quando estava voltando para
casa, a mãe dele me disse que esperava que tudo
desse certo e citou: “Se estiverdes preparados, não temereis” (D&C 38:30).
O dia seguinte chegou. Dezenas de lembranças
me passaram pela cabeça. Lembrei-me de quando
decidira deixar a cidade em que fui criada para estudar.
Lembrei-me de todos os sacrifícios que minha
família fez para pagar meus estudos. Não podia desapontá-los. Meu exame final tinha que ser um sucesso.
Meus colegas também estavam esperando para realizar
seus exames. Todos estávamos preocupados com
as perguntas que os juízes fariam, mas senti-me segura
porque havia orado pedindo ajuda e porque sabia que
Deus estava ciente de todos os esforços que eu fizera para
organizar, pesquisar e escrever minha dissertação.
Chegou a minha vez. Depois de explicar minha dissertação
para a banca examinadora, comecei a responder às
perguntas. Depois de fazer várias perguntas sobre o tópico
que abordei, um dos juízes indagou: “Quanto você trabalhou para realizar essa dissertação?”
“Muito”, respondi. “Dediquei tudo o que tinha porque
queria que ela fosse inovadora.”
“Queimou as pestanas, à noite?”
“Não, geralmente não fico acordada até tarde da noite
fazendo trabalhos da escola”, disse eu. “Organizo meu dia
para conseguir terminar meu trabalho.”
Os juízes claramente se mostraram surpresos. O mesmo
juiz comentou: “Acho estranho você admitir que não ficou
acordada até tarde da noite. Sabemos que seus colegas
ficaram, por muitas noites”.
Um dos outros juízes disse: “Quero dizer algo sobre
esta aluna. Ela tem tempo para tudo. Sei disso porque a
conheço. Ela tem tempo para seus estudos, seus amigos,
sua família e até frequenta a igreja”.
“É mesmo?” disse o outro juiz, novamente surpreso.
“Que igreja você frequenta?”
“Sou membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.”
“Oh, sim, conheço essa igreja”, replicou um deles.
“E somos ensinados a dormir cedo para que possamos
começar o dia seguinte revigorados.”
Senti-me calma e segura ao falar do evangelho, mesmo
que ficasse surpresa por ser questionada a respeito de
religião em um exame profissional.
“Sua dissertação foi escrita com muito sentimento. Está
excelente. Suponho que isso também seja devido aos
hábitos que lhe foram incutidos por sua igreja.”
“Sim”, respondi. “Aprendi a ensinar crianças na Igreja, e
isso realmente me ajudou em meu curso.”
“Você se saiu muito bem”, disse um dos juízes. “Esperamos
que você não pare de ir à igreja, porque deve muito
aos valores que adquiriu ali.”
Pouco depois, fui liberada da sala para que os juízes
pudessem chegar a uma decisão. Dois minutos depois, chamaram-me de volta.
“Não foi difícil chegarmos a um consenso. Em vista de
sua conduta exemplar, suas notas excelentes e a dissertação
que defendeu hoje, nosso veredicto foi unânime a
favor de sua aprovação, com menção honrosa. Parabéns!”
Quando contei para minha família, eles choraram de alegria.
Testifico que quando o Pai Celestial nos ordenou,
dizendo: “Recolhei-vos cedo, para que não vos canseis;
levantai-vos cedo, para que vosso corpo e vossa mente
sejam fortalecidos” (D&C 88:124), Ele o fez para nos
abençoar. Sinto-me grata a Ele por permitir que o evangelho
nos proporcione felicidade em todas as áreas de nossa vida. ◼

Sem Queimar as Pestanas

Stephen T. Case

Quando minha esposa,
Sandra, e eu fomos chamados para servir na Missão
África do Sul Durbam, começamos
a procurar um projeto de serviço
comunitário. Fui membro do Coro do
Tabernáculo Mórmon por mais de 20
anos, e minha mulher, que era auxiliar
de bibliotecária, tinha trabalhado
como contadora de histórias em
uma escola do curso fundamental.
Quando nosso presidente de missão
decidiu abrir a obra missionária em um
município vizinho, sabíamos que aquela era nossa chance.
Visitamos a cidade
e descobrimos que não havia bibliotecas
nas escolas, apenas uma pequena biblioteca comunitária
na cidade. Os jovens élderes nos
apresentaram à diretora da biblioteca.
Explicamos a ela que gostaríamos
de realizar semanalmente uma hora
de contar histórias para as crianças.
Ela não acreditou muito, mas depois
de pensar um pouco, concordou
em divulgar a notícia e permitiu que fizéssemos a tentativa.
No primeiro dia, cinco crianças apareceram. Aos poucos, outras
vieram. Depois de vários meses, convocamos uma jovem
senhora recém-conversa,
que falava muito bem inglês e zulu. A frequência da
hora de contar histórias foi aumentando, e a diretora
e os pais ficaram entusiasmados com o que estava acontecendo.
O povo zulu adora cantar, por isso acrescentamos alguns hinos
e versos a nossa hora de contar histórias. No final de nossa missão,
estávamos realizando duas ou três
sessões de cantar e contar histórias por semana para acomodar as mais
de 100 crianças que compareciam.
Que bênção era quando víamos as crianças em outros lugares e elas
começavam a cantar nossos hinos e recitar nossos versinhos para nós!
Outra bênção foi fruto de nosso
serviço naquela região. À medida que o número de membros da
Igreja foi crescendo e precisávamos de um lugar para começar a
realizar nossas reuniões dominicais,
a diretora da biblioteca insistiu que
usássemos a biblioteca sem cobrar nada.
Somos imensamente gratos
ao Senhor por ter-nos ajudado a
encontrar um meio de usar nossos
talentos, servir a comunidade
e ajudar a abrir uma área da missão. ◼

Por Favor, Salva Meu Pai

Bernadette Garcia Sto. Domingo

Foi meu pai quem buscou a verdade
e encontrou os missionários. Eles nos ensinaram o evangelho e,
pouco depois, fomos batizados: meus
pais e cinco irmãos e irmãs. Nosso testemunho ficou mais forte.
Aprendemos muitas coisas, especialmente a respeito do Salvador e da família.
Em 1992, enquanto servia como
bispo de nossa ala, nas Filipinas, meu pai teve
um ataque cardíaco e foi
levado às pressas de seu escritório
para o hospital. Quando recebemos a notícia de que ele estava na UTI, foi
um grande choque para minha família.
O medo afligiu-nos o coração. As
chances de sobrevivência de meu pai
eram mínimas. Minha mãe chorou e pediu que todos orássemos.
Perdi a noção do tempo depois
disso. Muitas lembranças me vieram
à mente. Com lágrimas correndo pelo
rosto, ajoelhei-me para orar. Sentia um grande peso no coração, meu peito
parecia que ia explodir. Eu queria
gritar para aliviar a dor e eliminar o medo que me dominava naquele dia.
Em vez disso, simplesmente orei: “Por
favor, salva meu pai”. Foi uma oração sincera, feita para ser ouvida.
Naquela noite, deixaram-me entrar
na UTI. Meu pai tinha entrado em
coma, e minha mãe, meus irmãos e
eu nos preparamos para o pior. Foi
uma experiência muito dolorosa
para nossa família. O futuro parecia
sombrio e incerto. Enquanto
nos despedíamos dele em
silêncio, lembrei-me de nossa primeira reunião familiar.
Assistimos a um filme da Igreja: As Famílias São Eternas.

Antes de irmos dormir,
naquela noite, meu pai terreno silenciosamente voltou para a
presença de seu Pai Celestial.
A morte de meu pai, quando
eu tinha 22 anos de idade, marcou o início de centenas de
mudanças em minha vida. Em sua
ausência, aprendi que tinha forças das quais não me dera conta.
Fiz mais coisas na vida do que teria feito
antes, porque me vi forçada a enfrentar
essas mudanças e a amadurecer.
Quando o Pai Celestial não atendeu a minha oração, jamais me ocorreu que
Ele não tenha me escutado. Sei que Ele
estava ouvindo. Ele sabia exatamente o
que estava acontecendo. Sabia exatamente
do que nossa família necessitava
na época, e foi por isso que Ele nos
deu forças para vencer os desafios da
vida e para enfrentar a realidade. Ele
nos ensinou a enfrentar nossas provações com fé.
Mais de 15 anos se passaram desde aquele dia doloroso.
Ainda estou aprendendo
e ainda estou crescendo no evangelho.
Agora tenho minha própria família e sinto me muito feliz
por termos sido selados no
templo. Nunca tiro os olhos do caminho
que meu pai traçou para nós.
Por meio da Expiação e da
Ressurreição de Jesus Cristo, sei que
um dia nossa família estará reunida
novamente. Ainda temos uma longa
jornada pela frente, mas sinto-me feliz
em pensar que verei meu pai no fim
dessa jornada. ◼

Aprender com o Profeta Joseph

Sue Barrett, Revistas da Igreja

Uma de nossas reuniões familiares favoritas foi a dramatização
da história de Joseph Smith e a Primeira Visão.
Contei a história, depois meus netos a
representaram, assumindo o papel dos pregadores e de Joseph Smith.
Desenhei árvores de papel para representar o bosque e colei-as
na parede do canto da sala, fiz alguns letreiros dizendo “Pregador”
para os pregadores e arrumei uma
cadeira e uma Bíblia para “Joseph” estudar.
Cada um dos pregadores dizia a Joseph:
“A minha igreja é a certa.
Filie-se a minha, Joseph.” E Joseph respondia: “Não sei”, ou “Preciso
pensar”. Depois que todos os pregadores conversaram com ele, Joseph
sentava-se na cadeira e lia Tiago 1:5 em voz alta. Depois, ele ia ao
“bosque” e se ajoelhava para orar.
Ninguém representou o papel do Pai
Celestial ou Jesus Cristo, e todos ficávamos reverentes quando cada
“Joseph” ia ao bosque orar. Cada
criança teve sua vez de ser um pregador ou ser Joseph.
Depois, conversamos sobre o que
Joseph Smith aprendeu na Primeira
Visão, como podemos receber resposta
para nossas orações, mesmo
que não tenhamos visões, e como
as escrituras podem guiar-nos. ◼

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29/04/09

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